Construção civil cresce, mas oferta de materiais não acompanha

Prédios em construção, fábricas, empreendimentos. O ritmo da construção civil em Pernambuco está acelerado. Somente em Suape, principal responsável pelo “boom da construção”, são 10 obras sendo realizadas ao mesmo tempo. É tanto trabalho que chega a faltar material.

No estaleiro Atlântico Sul, por exemplo, os responsáveis precisam agendar a compra de materiais para que a obra não pare. No canteiro de obras gigante, estão amontoadas mais de 2,5 toneladas de aço. Apenas 10% do que é preciso para concluir o serviço.

Comprar todo essa quantidade está cada vez mais caro. Só no mês de agosto, o preço do aço subiu 20%. Nos últimos 12 meses, a alta chega a 39%, reflexo do aumento da procura.

E esse não é o único problema. Os equipamentos que fazem as fundações dos prédios, 20 no total, vieram de São Paulo, porque em Pernambuco não há similares. Conseguir guindastes também é um desafio. O porto de Suape conseguiu comprar quatro e outros 16 são alugados.

O engenheiro João Marcelo de Araújo é responsável por uma das obras em Suape. Ele diz que as plataformas elevadoras estão sendo solicitadas em estados como Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte, porque no estado não há mais disponíveis.

Os últimos oito caminhões que chegaram estavam encomendados há cinco meses e a empresa contratada ainda está devendo mais dois. Em dois meses, as obras devem chegar ao seu ponto alto e as necessidades devem duplicar.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil em Pernambuco (Sinduscon-PE), Gabriel Neves, acredita que a tendência de crescimento do setor tende a ser duradoura.

“Nenhuma das obras serão concluídas em um ano. A refinaria só deve ficar pronta em sete anos. O estaleiros e a duplicação da rodovia federal BR-101, três. Outras obras como edifícios, por exemplo, ficam prontos em dois ou três anos”, disse, otimista.

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