Qualificação do setor da construção civil cresce em Pernambuco
O longo período de chuva que atinge Pernambuco este ano atrapalhou o setor da construção civil e muitas obras foram interrompidas temporariamente. Só em Suape, dois mil empregos foram suspensos. Mas a situação já começou a mudar e o número de empregos na área voltou a crescer: foram criados quase 20 mil nos últimos 18 meses. A estimativa feita pelo Sindicato da Construção Civil (Sinduscon) é de que existem cerca de sete mil postos de trabalho no Recife. Em todo o estado, este número passou de 42 mil para 60 mil.
Para quem quer aproveitar essas oportunidades, o primeiro passo é procurar cursos de qualificação profissional. Para se ter uma idéia, em 2007, a Agência do Trabalho ofereceu 479 vagas no setor e, este ano, já foram 1.240 vagas abertas. O gerente operacional da Agência do Trabalho, Jorge Lara, disse que o aumento é significativo e dados confirmam esta tendência.
“Das 20 ocupações na Agência, três estavam vinculadas à construção civil. Este ano, já são sete. Se levarmos em consideração a pesquisa do Dieese, em junho houve um aumento de 1,6% no setor. O cadastro geral de empregados confirma esta tendência com 1.370 novos postos em junho”, afirmou.
Rogério da Silva, por exemplo, é filho de carpinteiro. Ele ajudou o pai a construir casas no Litoral Sul de Pernambuco, mas agora se prepara para trabalhar na construção do estaleiro no Porto de Suape. Ele é um dos 1.100 alunos que estão sendo formados pelo Senai em Ipojuca. Quando perguntado se tem vagas no setor, ele é confiante: “Estou trabalhando para isso”, espera.
Apesar de ser uma tarefa pesada, por ter que cortar e torcer o ferro, a profissão de armador de ferro também está sendo procurada por mulheres, como Clésia Tamires, 19 anos. Ela está concluindo 120 horas de aulas práticas e diz que está pronta para o trabalho pesado. “Dobrar o ferro, cortar, principalmente quando ele é mais grosso, é difícil, mas dou conta do negócio”, garante.
O diretor da Escola Técnica do Senai, Severino Trajano, informou que os cursos de armadores de ferro e carpinteiros estão formando profissionais para atuar tanto nos prédios comerciais de grande porte quanto nos residenciais. “O perfil não é fechado, abre para construção civil de um modo geral”, afirmou.
O presidente do Sinduscon, Gabriel Neves, garante que os mais capacitados não devem ficar sem emprego. “Aqueles que têm curso e são treinados têm mais facilidade de conquistar o emprego, porque o serviço deles é mais bem feito, tem mais qualidade”, disse.
Quem está empregado, como Severino Balbino, que atua no ramo há 16 anos, diz que é importante a qualificação. “Porque se você é qualificado, evita muitos acidentes. Facilita muito em tudo. Por isso, tem que estar preparado”, opinou.
Por causa do aumento do número de trabalhadores, o sindicato do setor desenvolve uma campanha em Pernambuco para evitar que as pessoas que conseguiram um emprego se tornem vítimas de acidentes de trabalho. Em 1996, foram sete mil acidentes registrados no estado; em 2007, este número já era de 11 mil acidentados, levando o setor da sétima posição no ranking de acidentes com trabalhadores para o quarto lugar nesse quadro.
De acordo com Beda Barkokebas, coordenador da campanha, os serventes são os trabalhadores que mais se acidentam. Por isso, um trabalho mais específico é feito com eles e com os eletricistas, que estão em segundo lugar no número de acidentados.